Estudos

“Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.” (Pv 3.9,10)

Este texto de Provérbios é bastante conhecido. Ele é claro sobre a importância de honrar a Deus com nossos recursos financeiros, mas traz uma expressão que nem todo cristão entende bem: primícias.

Afinal, o que são primícias?

As primícias, por definição, são primeiros frutos, primeiros lucros, primeiras produções. Mais do que simplesmente algo material, as primícias bíblicas dizem respeito à primeira parte de algo.

Além de uma oferta qualquer, a primícia demonstra honra, confere primazia, aponta para o que ou quem é mais importante.

A lei das primícias

A lei das primícias foi estabelecida lá no Antigo Testamento, quando o povo ainda nem havia entrado na terra prometida. A orientação era de que, quando eles estivesse em Canaã e colhessem o fruto da terra, a primeira parte deveria ser entregue na Casa do Senhor (Êxodo 34:26).

No texto, fala-se sobre a primícia dos primeiros frutos: ou seja, uma parte selecionada entre a primeira colheita da terra. Mas não qualquer parte, a melhor dela. Podemos ver a importância da qualidade da oferta em Deuteronômio 15:19-21, quando a lei fala sobre sacrificar o primeiro macho de todos os rebanhos: “Se o animal tiver defeito, ou for manco ou cego, ou tiver qualquer defeito grave, você não poderá sacrificá-lo ao Senhor”.

No novo testamento, Paulo retoma o conceito de primícias em Romanos 11:16: “Mas se as primícias são santas, também a massa o é; e se a raiz é santa, também os ramos o são”. Assim, ensina que se você santifica a primeira parte – e a mais importante – santifica tudo o que vem depois dela.

Em primeiro lugar

“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33)

A Bíblia orienta o cristão a manter sempre Deus em primeiro lugar. A consciência de que Ele é o Senhor de tudo é o que mantém nossa vida em ordem. A lei das primícias é uma das formas de estarmos sempre atentos a isso.

“Deus não instituiu as ofertas pelo fato de precisar delas, mas para provar o nosso coração numa das áreas em que demonstramos um grande apego. Com a Lei das Primícias não é diferente. Deus não precisa dos primeiros frutos. Nós é que precisamos d’Ele em primeiro lugar em nossas vidas, e este é um excelente exercício para mantermos o nosso coração consciente disto”, comenta pastor Luciano Subirá em seu livro Uma questão de honra.

Ao ofertarmos a primeira parte de recursos financeiros estamos treinando o nosso coração a sempre lembrar quem está no trono de nossas vidas. Essa atitude que dá o verdadeiro sentido às nossas ofertas.

Caim e Abel apresentaram ofertas ao Senhor, porém a Bíblia diz que, enquanto Abel trouxe as primícias do seu rebanho, Caim trouxe uma oferta ao fim de uns tempos (Gn 4:3-5). A oferta de Abel agradou a Deus, mas não a de Caim. O foco não foi o que foi ofertado, mas como foi feito: a primícia x algo feito em segundo plano.

Bênção x maldição

Pastor Luciano Subirá diz que a entrega das primícias é uma semente que dá acesso às bênçãos de Deus, pois entregar a primeira parte santifica todo o resto, dando liberdade da ação do Senhor. Porém, da mesma forma, se roubamos a Deus nas primícias, não entregando a Ele a primeira parte, amaldiçoamos o resto.

E isso se aplica a todas as áreas de nossa vida: quando separamos a primeira parte do dia para buscar ao Senhor, santificamos o restante dele. Da mesma forma, quando ofertamos as primícias de nossos recursos, abençoamos o parte que continua sob a nossa administração.

Entender a importância do primeiro lugar é a maneira mais prática de entender as primícias: ninguém comia do fruto da colheita antes de entregar a primeira parte ao Senhor. Em nosso caso, os dízimos e ofertas deveriam estar como primeiro item do nosso orçamento, dando a Ele a primazia em nossas finanças.

Como fazer isso hoje?

A maioria de nós não vive da agricultura nem da pecuária, então como entregar as primícias hoje?

Em primeiro lugar, entregar dízimos e ofertas em caráter de primazia, no primeiro dia da semana, antes de usufruir de sua renda é uma maneira de entregar primícias ao Senhor. Isso vem sendo realizada na igreja de nossos dias. Porém, não há nada na Bíblia que impeça os cristãos de tratarem as primícias como algo a mais e além dos dízimos e ofertas.

“À luz do ensino do Novo Testamento, não consigo (nem ouso) afirmar que a entrega das primícias tenha que ser, necessariamente, uma contribuição a mais, além dos dízimos e demais ofertas. E eu não quero afirmar, em hipótese alguma, que a visão de contribuirmos, dando a Deus a primazia, não cumpra a Lei das Primícias. Por outro lado, não vejo nada nas Escrituras que nos impeça de agirmos assim. Não há nenhum princípio bíblico que venha a ser quebrado se assim procedermos!”, afirma Luciano Subirá.

Portanto, para quem deseja oferecer algo a mais como uma oferta de primícia ao Senhor, é possível aplicar à cultura contemporânea conforme exemplos abaixo:

Um dia de salário como o primeiro: divida seu salário por 30 e dê esse valor como oferta de primícia, representando o rendimento de seu primeiro dia de trabalho.

A primeira comissão: para vendedores autônomos, a oferta de primícia pode ser o valor da primeira comissão recebida no mês.

A primeira venda: no caso de pessoas que trabalham com venda de produção própria (alimentos, artesanatos, trabalhos manuais), a primícia pode ser o lucro do primeiro trabalho vendido.O mesmo se aplica a autônomos: o primeiro serviço do mês ou a primeira parte de um contrato fechado.

Mais importante do que o formato da contribuição, é a atitude: ofertar antes de usufruir daquilo que foi recebido coloca Deus no lugar de primazia e mostra quem é o mais importante em nosso coração. “Entregar ao Senhor as primícias da nossa renda é dar-Lhe honra. É distingui-Lo. É demonstrar o lugar especial que Ele ocupa em nossas vidas. Deus quer ser o Primeiro em nossas vidas”, afirma Luciano Subirá.

Saiba mais

Leia mais sobre a Lei das Primícias.

Conheça mais sobre o que Deus espera de nós em relação às finanças no livro Uma questão de honra, do pastor Luciano Subirá.